Os pingos começavam a se tornar mais fortes em sua janela, o limoeiro do fundo de sua casa começava a brincar com o vento e fazer aquela mesma fulia que duas crianças fazem quando estão livres para brincar...
As folhas cantavam canções de ninar e a chuva era responsável pela cadência!!!
Tudo parecia acontecer exatamente como a chuva queria que acontecesse....
Deitada em sua cama, em silêncio, ela ouvia ... cada gargalhada, cada suspiro, cada vento forte que passava, cada pingo que cantava, cada verso que se ditava, cada movimento que se fazia... e preferiu ficar assim, apenas ouvindo, se deixando apenas como expectadora de um momento tão sublime...
Ouvia na chuva as lembranças de um futuro bom, as certezas de um passado ferido, porém forte, os devaneios de um presente que parece não ser seu... Misturava tudo o que sentia em sua alma com tudo o que a fazia sentir os pingos lá fora... o que resultava nem ela própria compreendia, mas parecia que era algo bom!
Seu corpo não permitia que ela levantasse e assim ela permaneceu, intacta, apenas ouvindo e lembrando, lembrando e ouvindo os pingos da chuva na sua janela!!!
Era possível ouvir nas águas que escorriam pelo quintal que, com elas, iam tudo o que ela desejava que fosse....seus medos, suas incertezas, suas dores, seus receios, seus ressentimentos, seus fantasmas, suas lutas infundadas, seus amores esquecidos... e fazia isso do silêncio da sua cama, e a chuva a entendia e a curava...
Mas com a chuva ela sentia que vinha também coisas que a fariam melhor...
Sim! Era a chuva a responsável por lembrar sonhos esquecidos, reacender desejos apagados, acordar planos adormecidos, desejar o inesperado, querer o inevitável, conseguir o impossivel...
Por alguns instante quis brincar junto com as folhas e o vento, a alma inquietou-se e pretendia ser livre, porém cantou com os pingos da chuva uma canção que nunca havia cantando...a canção que estava em seu coração...
E ao escutar os pingos da chuva o coração dela se animou e esperou que tudo mudasse como a chuva que chegava...
E ela sorriu....
Andrieda C. Guimarães








